Indicadores da Indústria de Café | 2011

O aumento do consumo em 2011

Os consumidores brasileiros continuam aumentando o consumo de café. No período compreendido entre Novembro/2010 e Outubro/2011, a ABIC registrou o consumo de 19,72 milhões de sacas, isto representando um acréscimo de 3,11% em relação ao período anterior correspondente (Nov/09 a Out/10), que havia sido de 19,13 milhões de sacas.

Esse resultado mostra que o País ampliou seu consumo interno de café em 590 mil sacas nos 12 meses considerados. As empresas associadas da ABIC, que participam deste levantamento informando os volumes produzidos mensalmente, mostraram uma evolução mais significativa, de 6,32% em relação a 2010. Este resultado, que mostra que as empresas associadas da ABIC cresceram mais do que o valor total do mercado, indica que elas estão oferecendo produtos mais diferenciados, de melhor qualidade, e muitas trazem os símbolos de certificação de qualidade, o Selo de Pureza ABIC ou o Selo de Qualidade PQC, o que parece atrair mais os consumidores, fazendo com que o seu resultado seja melhor. Estimativas colhidas no mercado mostram, ao contrário, que muitas empresas não-associadas e que não tem esta certificação, não cresceram seus volumes, ao contrário, diminuíram em cerca de 0,5% no total, o que esta considerado neste estudo da ABIC sobre o consumo interno.

Já o consumo per capita foi de 6,10 kg de café em grão cru ou 4,88 kg de café torrado, quase 82 litros para cada brasileiro por ano, registrando uma evolução de 1,45% em relação ao período anterior. Os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia, adicionando ao café filtrado consumido nos lares, também os cafés expressos, cappuccinos e outras combinações com leite.

Esse consumo de 4,88 kg / ano supera o de 1965, que foi de 4,72 kg / hab/ano, tornando-se o maior consumo já registrado no Brasil, um verdadeiro recorde. Continua sendo também, maior que os da Itália, da França e dos EUA. Os campeões de consumo, entretanto, ainda são os países nórdicos – Finlândia, Noruega, Dinamarca – com um volume próximo dos 13 kg/por habitante/ano.

Pesquisa do IBGE (POF), também indicou que o café é o alimento mais consumido diariamente por 78% da população acima de 10 anos, com o consumo per capita igual ao apurado pela ABIC, e maior na região Nordeste, seguido do Sudeste. (255 ml/dia ou 93 litros/dia.habitante.ano)

O crescimento de 3,11% é menor do que o esperado pela ABIC em suas previsões iniciais. As razões desta redução devem ser melhor pesquisadas, mas podem estar relacionadas ao crescimento do consumo de produtos concorrentes no café da manha no lar. Enquanto a penetração do café no consumo doméstico permaneceu elevada (95%), mas estável, os outros produtos ou categorias novas cresceram acima de 20%, como foi o caso do suco pronto (24%) e as bebidas a base de soja (29%), segundo pesquisas complementares da Kantar Worldpanel.

Assim, os produtos básicos do café da manha (pão, margarina, biscoito, café com leite) diminuíram seu gasto de 87% em 2005 para 80% em 2010, enquanto as novas categorias (suco pronto, bebida soja, cereal matinal) cresceram seu gasto de 13% para 20% no mesmo período (fonte: Kantar Worldpanel). Essas categorias de maior valor agregado desafiam a indústria de café para a inovação e para a retomada de índices de crescimento maiores, o que pode ocorrer com a oferta de cafés de melhor qualidade, diferenciados e certificados.

Por outro lado, pesquisas complementares mostraram aumento do consumo de café extra-forte – de 15% em 2007 para 19,6% em 2010 – uma modalidade cujo rendimento é maior, isto é, usa-se menos pó para preparar o café filtrado. Isto pode também ser uma das razões para o crescimento menor em volume de café em 2011.

A melhora da qualidade é o motor do consumo. A importância disto está no fato de que a ABIC, ao lançar o Programa do Selo de Pureza, em 1989, anunciou que pretendia reverter a queda no consumo de café que havia à época, por meio da oferta de melhor qualidade ao consumidor. O Selo de Pureza foi o primeiro programa setorial de certificação de qualidade em alimentos no Brasil. Atualmente ele certifica 1.082 marcas de café e já realizou mais de 51.000 análises laboratoriais nesses 21 anos de existência e desde seu lançamento o consumo vem crescendo.

Em 2004, a ABIC criou o Programa de Qualidade do Café – PQC, que hoje é o maior e mais abrangente programa de qualidade e certificação para café torrado e moído, em todo o mundo. O PQC certifica e monitora 490 marcas de café, sendo que 105 são de cafés Gourmet, de alta qualidade.

A meta de 21 milhões de sacas por ano só deverá ser atingida em 2013

A meta da ABIC para o consumo interno atingir 21 milhões de sacas, proposta em 2004, parece que poderá ser atingida somente em 2013. Com a economia brasileira sendo impulsionada em 2012 e as previsões que se fazem para o crescimento do PIB, do consumo das classes C, D e E, mais a previsão de que as classes A e B poderão crescer 50% ate 2015, é natural que o consumo do café siga crescendo.

Expectativas para 2012

Para 2012, a ABIC projeta um crescimento de 3,5% em volume, o que elevaria o consumo para 20,41 milhões de sacas. A perda de produção de cafés arábicas em países importantes como Colômbia e Guatemala, com redução de estoques mundiais e no Brasil, junto com consumo mundial crescente, irá pressionar os preços da matéria prima, especialmente no primeiro trimestre do ano. Em 2011, os preços do café nas prateleiras de supermercados de São Paulo, iniciaram Janeiro com o valor médio de R$ 11,12/kg e encerraram Dezembro com R$ 13,26/kg, numa evolução de 19,2%, depois de ficarem estáveis por 4 anos. Neste mesmo período, o café em grão cru subiu mais de 70%, nos tipos mais usuais para a indústria. O café, entretanto, continua sendo um produto muito acessível aos consumidores, mesmo nas categorias de maior qualidade e mais valor agregado, como os cafés Superiores e Gourmet.

As vendas do setor em 2011 podem ter atingido R$ 7,0 bilhões e espera-se que cheguem a R$ 7,7 bilhões em 2012.

Em 2012, a ABIC vai continuar a estimular o aumento do consumo geral e a oferta de cafés diferenciados, ampliando a adesão das empresas aos seus diversos programas de qualidade e certificação, como o Selo de Pureza, o PQC – Programa de Qualidade do Café, o PCS – Cafés Sustentáveis do Brasil, entre outros.

Takamitsu Sato
Presidente

Marcio Reis Maia
Área de Pesquisas e Informações

Relação das 100 maiores Indústrias de Café Associadas da ABIC em 2011

Outubro/2011

100 maiores 2011

wdt_ID Classificação Atual UF EMPRESA
1 1 SE INDS. ALIMENTS. MARATA LTDA.
2 2 SP MELITTA DO BRASIL IND. E COM. LTDA.
3 3 SP CIA. CACIQUE DE CAFE SOLUVEL
4 4 SP MITSUI ALIMENTOS LTDA.
5 5 MG CAFE BOM DIA LTDA.
6 6 PB SAO BRAZ S/A IND. E COM. DE ALIMENTOS S.A
7 7 PR ODEBRECHT – COM. E IND. DE CAFE LTDA.
8 8 MG TOKO INDL. E PROCESSAMENTO S/A
9 9 SP CAFE UTAM S/A.
10 10 SP CAFE PACAEMBU LTDA.
Classificação Atual UF EMPRESA

Produção e participação por Grupos e Portes de Empresas Associadas a ABIC – Brasil

Outubro/2011

TOTAL551.044100,00%415
 GRUPO2010 / 2011 
VOLUME MENSAL (SACAS)PARTICIPAÇÃO (%)Núm. Empresas
1 – 999 sacas76.49713,88%345
1000 – 2999 sacas70.48412,79%39
3000 – 9999 sacas 127.38023,12%25
Acima de 10000 sacas276.68350,21%6

Período de produção considerado: 2010 / 2011 – nov/10 a out/11 
Considerado somente café torrado e moído (entre associadas da ABIC)