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INDÚSTRIAS PEQUENAS INVESTEM NO CAFÉ GOURMET
23/10/07

As empresas de torrefação de café de pequeno porte tentam sobreviver no mercado, considerado concentrado por seis grandes grupos -entre eles Sara Lee, Café Santa Clara, Melitta- apostando no crescimento do consumo do gourmet. O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz, diz que o consumo da bebida com maior valor agregado aumenta 15% ao ano, bem acima que os 6% anuais verificados no café convencional. Historicamente, as pequenas empresas - estimadas em cerca 2 mil unidades distribuídas pelo Brasil - operam com ociosidade de 60% da capacidade instalada, enquanto os grandes grupos trabalham com quase 100%. Segundo ele, é por isso que as menores buscam se diferenciar com o gourmet. O segmento responde por 4% do consumo nacional - que deve chegar a 17,3 milhões de sacas (60 quilos) em 2007, 8% mais que as 16,5 milhões em 2006 - e quase a totalidade da produção vem das pequenas.

De acordo com Herszkowicz, as micro e pequenas empresas compram equipamentos menores, embora com alta tecnologia, para a fabricação de café gourmet, com recursos do Financiamento de Máquinas e Equipamentos (Finame).

A Bravo Café é uma destas pequenas que está investindo no gourmet. Instalada em 2002 na própria fazenda, na região de Alta Mogiana (SP) - que produz café para exportação desde 1967 - a indústria tem capacidade para processar de 35 a 40 toneladas mensais - mas opera com apenas 50%. 'O consumo é pequeno, é um mercado competitivo e ainda estamos lutando para ocupar espaço', diz Diogo Ribeiro, diretor. A expectativa dele, é que o faturamento deste ano fique entre R$6 e R$7 milhões, 20% mais que em 2005.

Herszkowicz estima que a participação do tipo gourmet dobre nos próximos cinco anos, diante da demanda cada vez maior. Por ser um produto com maior valor agregado, tem uma representatividade maior (8% a 10%) no faturamento do setor, previsto em R$6,7 bilhões este ano, 15% mais que em 2006. Para ele, o consumo de café de todos os tipos cresce a cada ano no Brasil acima da média mundial, de 2% ao ano, por conta da melhora da qualidade da bebida, investimentos em marketing e da divulgação de que o café faz bem à saúde.

Fonte: Gazeta Mercantil

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