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Uma delegação da empresa italiana IllyCaffè, composta pelo
presidente honorário, Ernesto Illy; o Diretor de Pesquisa
e Desenvolvimento, Furio Suggi Liverani; o Chefe do Escritório
Executivo, Andréa Illy; e o consultor científico da IllyCaffè
no Brasil, Aldir Alves Teixeira, visitou a Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia com o objetivo de definir as linhas
de pesquisa que serão conduzidas em parceria entre as duas
instituições para aprimorar a qualidade do café arábica. A
Illycaffè está há mais de 70 anos no mercado e hoje é uma
das maiores empresas do mundo no processamento de café expresso,
responsável pela exportação do produto para mais de 140 países.
A delegação foi recebida pelo Chefe-Geral da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, José Manuel Cabral; pelo Gerente-Geral
da Embrapa Café, Gabriel Bartholo, e pelos pesquisadores Alan
Andrade e Carlos Bloch.
A cooperação técnica entre a Embrapa e a IllyCaffè vai englobar
duas linhas de pesquisa principais: aumentar a qualidade do
café pela identificação e estudo das proteínas, com o auxílio
da genômica e da proteômica; e aumentar o poder germinativo
das sementes, a partir de estudos de microscopia para o desenvolvimento
de células. Além disso, a cooperação deve englobar também
estudos para aprimorar os processos de pós-colheita do café,
como secagem, entre outros.
A qualidade é fundamental nas relações comerciais e exerce
enorme influência sobre o preço dos produtos agrícolas. Entretanto,
é um conceito complexo e difícil de ser mensurado, especialmente
no caso do café, como explica o pesquisador da Embrapa Recursos
Genéticos e Biotecnologia, Alan Andrade. "O genótipo, o meio
ambiente e as práticas agrícolas influenciam a qualidade do
café, mas o ponto mais crítico para a garantia de variedades
de café com altos padrões de qualidade da bebida e aroma é
o cuidado no processamento dos grãos", explica o pesquisador.
Hoje já se sabe que a qualidade do café está fortemente relacionada
aos processos bioquímicos que ocorrem dentro das sementes
durante o processamento e, por isso, o principal foco da parceria
será o desenvolvimento de pesquisas de biotecnologia para
estudar essas reações. "O objetivo central da colaboração
entre a Illycaffè e a Embrapa é investir em conhecimento técnico
para entender melhor as mudanças metabólicas que ocorrem durante
o processamento de café e que podem afetar a qualidade do
produto. Para isso, serão desenvolvidas pesquisas de análise
de expressão de genes e proteínas ", afirma Andrade.
Para o presidente honorário da Illycaffè, Ernesto Illy, além
de complexo o conceito de qualidade é subjetivo, pois varia
muito entre os diferentes países. "Por isso, é muito difícil
mensurar a qualidade, mas é possível medir o grau de satisfação
dos clientes. Com a parceria técnica, pretendemos unir a tradição
e o "know-how" da Illycaffè com a experiência técnico-científica
da Embrapa", afirma Illy. Segundo ele, a paixão pela ciência
e tecnologia sempre acompanhou a história da Illycaffè, desde
as primeiras invenções nos anos 30 até às modernas pesquisas
de hoje, onde se estudam os aspectos mais profundos da estrutura
do café.
Na verdade, como explica o pesquisador Alan Andrade, a visita
é resultado de um contato que já vem se consolidando há dois
anos, desde o seminário "Genetically Modified Coffee", promovido
pela Organização Internacional do Café (OIC), em 2005, Londres,
quando os representantes da empresa demonstraram interesse
pelas pesquisas de biotecnologia desenvolvidas pela Embrapa,
especialmente nas áreas de genômica, proteômica e transformação
genética de plantas.
Esse interesse levou o presidente Ernesto Illy a realizar
a primeira visita à Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia,
em novembro de 2006. Na ocasião, ele se mostrou muito impressionado
com o alto nível das pesquisas desenvolvidas na área de biotecnologia
cafeeira, em parceria entre a Embrapa Recursos Genéticos e
Biotecnologia e a Embrapa Café e garantiu que voltaria em
março de 2007 para a definição das linhas de pesquisa nas
quais será centrada a parceria técnica entre as duas instituições.
Fonte: Página Rural
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