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As indústrias de café solúvel e de torrado e moído estão
no mesmo lado em uma batalha que promete gerar ainda muita
polêmica. Essas torrefadoras pleiteiam a importação de café
verde, em regime de drawback (importação de insumos
para reexportação), mas encontram resistências do setor produtivo
e morosidade na decisão por parte do governo federal.
Ruy Barreto Filho, vice-presidente da Associação Brasileira
da Indústria de Café Solúvel (Abics), argumenta que o segmento
de solúvel tem perdido competitividade nos últimos anos, principalmente
no mercado internacional. O preço do café robusta no Brasil
registrou aumento de 20% nos últimos 12 meses, encarecendo
os custos de produção das indústrias de solúveis. A menor
safra prevista para 2007/08 também acende a luz amarela dessas
indústrias, que utilizam mais de 90% dos grãos robusta em
seu blend de solúvel.
Segundo Barreto Filho, as indústrias consomem cerca de 4
milhões de sacas de robusta por ano para a produção de café
solúvel. A expectativa do setor é de importar pelo menos 1
milhão de sacas. "Não vamos substituir a produção por importados.
É um complemento". Barreto Filho lembra que entre 1995 e 2002,
as exportações de solúvel ficaram praticamente estagnadas,
enquanto as negociações globais dobraram, para 16 milhões
de sacas no mesmo período.
Para as indústrias de torrado e moído, a importação de café
arábica se limitaria a cerca de 20% de um total de 120 mil
sacas que são exportadas anualmente. "Até 2002 não havia necessidade
de drawback, uma vez que não exportávamos até este
período", afirma Nathan Herszkowicz, diretor da Associação
Brasileira da Indústria de Café (Abic). "A realidade hoje
é diferente. Estamos aumentando as nossas exportações", diz.
Herszkowicz observa que o Brasil assiste a um movimento recente
de entrada de cafeterias estrangeiras no país, que utilizam
em seu blend pouco café brasileiro.
Conforme Vilmondes Olegário, diretor de café do Ministério
da Agricultura, a decisão sobre a liberação do drawback
não tem uma data definitiva. O assunto, em discussão há meses,
depende do consenso da cadeia e está sob responsabilidade
do Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC). Há,
segundo ele, uma preocupação da cadeia produtiva de que a
importação de grãos possa trazer problemas fitossanitários.
As indústrias de solúvel já enviaram uma carta oficial ao
governo do Vietnã - maior produtor mundial de café robusta
- pedindo um maior estreitamento das negociações com o governo
brasileiro e deverá reforçar o seu lobby para que a questão
chegue à Presidência da República.
Fonte: Valor Econômico
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