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METADE DA SAFRA DE CAFÉ SERÁ CONSUMIDA NO PAÍS
31/05/07

"O café é a bebida do século 21", afirma Nathan Herszkowicz, diretor da Abic A aceleração do crescimento do consumo de café no Brasil nos últimos anos, fruto do aumento da renda da população e das campanhas de incentivo lideradas pela iniciativa privada, deverá manter no país metade da produção prevista para a safra 2007/08, cuja colheita já está em andamento.

Segundo Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), trata-se de uma participação inédita. A cultura é de exportação, e normalmente os embarques nacionais, que dominam o comércio internacional da commodity, absorvem a maior parte da colheita.

Para 2007/08, a Conab projeta a produção brasileira em 32,065 milhões de sacas beneficiadas de 60 quilos. Se confirmada a previsão de Herszkowicz, a demanda interna absorverá, portanto, 16 milhões. No ano passado, o consumo doméstico ficou em 16,3 milhões de sacas, mas seu quinhão na produção da safra 2006/07 (42,512 milhões de sacas) foi de 38%.

"É claro que o fato de a produção ser menor [em razão da bianulalidade da safra cafeeira, que resulta em uma a cada duas safras com produtividade naturalmente menor] abre espaço para o aumento da participação do consumo doméstico. Mas ainda assim é uma prova do sucesso das campanhas que fazemos e que se tornaram referência para a OIC [Organização Internacional do Café, com sede em Londres]", disse.

Enquanto a demanda global de café vem crescendo cerca de 1,5% ao ano, no Brasil o consumo cresceu 5,1% em 2006 e 19,2% de 2003 ao ano passado, conforme a Abic. O fortalecimento do mercado interno coroa um cenário positivo para a cafeicultura brasileira que tem tudo para durar pelo menos dois anos.

Reunidos ontem em São Paulo no 2º Fórum&Coffee Dinner, promovido pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), especialistas do segmento de diversos países avaliaram, de uma maneira geral, que a oferta mundial está ajustada à demanda e que as cotações internacionais tendem, com isso, a permanecer firmes até o fim de 2008. "O momento é favorável, e os preços deverão permanecer nesse mesmo nível, sem grandes sustos ou saltos", disse Guilherme Braga, diretor-geral do Cecafé.

Comuns em tempos de crise, até as críticas às políticas cafeeiras do país estão em baixa. "Temos trabalhado em parceria com a cadeia produtiva, nas promoções, no marketing e nas pesquisas", disse Lucas Tadeu Ferreira, diretor do Departamento de Café do Ministério da Agricultura. E o Funcafé, fundo incluído no Orçamento da União que ajuda a financiar o setor, deve liberar mais de R$ 2 bilhões em 2007, ante R$ 1,5 bilhão em 2006.

Fonte: Valor Econômico

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