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Na São Paulo de tantos edifícios e vida agitada, são poucas
as pessoas que reparam. Mas bem atrás do prédio do Detran,
ao lado do Parque do Ibirapuera e a poucos metros da Av. 23
de Maio, há uma lavoura cafeeira. A área, uma das últimas
com café na capital paulista, pertence ao Instituto Biológico.
Lá foi celebrada a colheita da safra 2007/2008 de café no
Estado de São Paulo, em uma iniciativa da Secretaria de Agricultura
do Estado de São Paulo e da Câmara Setorial do Café.
O evento marca o lançamento da Campanha Sabor da Colheita
2007, por meio da qual o governo paulista, com o apoio de
cooperativas e das entidades que representam os setores da
produção, exportação e indústrias de café torrado e moído
e de café solúvel, homenageiam os cafeicultores e os trabalhadores
desta atividade que é uma das que mais geram emprego no Brasil.
Os secretários estaduais da Agricultura, João de Almeida Sampaio
Filho, do Turismo, Claury Santos Alves Silva, e do Meio Ambiente,
Xico Graziano, juntamente com a primeira-dama Mônica Serra,
o presidente da Câmara Setorial do Café, Nathan Herszkowicz,
e o diretor geral do Biológico e engenheiro-agrônomo Antônio
Batista Filho, prestaram a homenagem colhendo, eles próprios,
os primeiros grãos de café.
Com todo o aparato necessário, como óculos de proteção, luvas,
chapéu, avental, peneiras e balaios, autoridades e convidados
fizeram a colheita seletiva, retirando com as mãos apenas
os grãos bem amadurecidos, que resultam em melhor qualidade.
A safra do Instituto Biológico - 1.305 pés de cafés arábica,
plantados em uma área de 10 mil m2
- deve render 9 sacas, cerca de 500 kg, que, depois de industrializados,
serão doados para a Campanha de Inverno do Fundo Social de
Solidariedade do Estado de São Paulo, presidido por Mônica
Serra.
Depois da colheita "simbólica" foi servido um café da manhã
preparado pelo CPC - Centro de Preparação de Café, do Sindicafé-São
Paulo. "Comemoramos mais uma vez o início da colheita, desde
o grão até a xícara", diz Eduardo Carvalhaes Jr., coordenador
do Concurso Estadual de Qualidade da Câmara Setorial do Café.
Safra 2007/2008
Reunindo as indústrias líderes do setor de torrefação, o Estado
de São Paulo responde por 38% da produção nacional de café
torrado e moído, ou, por 6,1 milhões de sacas do total industrializado
em 2006, de 16,3 milhões de sacas.
São Paulo é o maior Estado consumidor de café do país. São
5,3 quilos de café torrado e moído por habitante/ano, o que
dá 85 litros por pessoa/ano. Comparativamente, o consumo per
capita em 2006 no Brasil foi de 4,27 kg de café torrado, quase
70 litros para cada brasileiro, registrando uma evolução de
3,9% em relação a 2005 (4,11 kg). A maior região consumidora,
por sua vez, é a Grande São Paulo: 100 litros por hab./ano
ou 6 quilos/ha./ano.
Segundo maior produtor de café arábica, e em terceira posição
no ranking nacional quando se considera o plantio de robusta,
São Paulo deverá colher nesta safra 2007/08, de acordo com
a Conab - Companhia Nacional de Abastecimento, que faz esses
levantamentos oficiais, apenas 2,6 milhões de sacas de café.
Uma retração de 42,3% em relação à safra anterior, de 4,5
milhões de sacas, resultante da bienalidade negativa (ano
de safra baixa, seguido por outro de maior colheita), da estiagem
acentuada entre março e setembro de 2006 e do excesso de chuvas
em dezembro/2006 e em janeiro de 2007.
O Cafezal do Biológico
O Instituto Biológico, um dos maiores centros de investigação,
estudo e pesquisas de pragas e doenças e de produção de vacinas
contra males como aftosa e brucelose, foi criado em 1924 justamente
para estudar o combate à broca do café. O primeiro plantio
foi na década de 40 e servia como objeto de estudo e material
de pesquisa.
Na década de 80, todo o café foi retirado, com replantio
em 1982 e em 1986. Em 2005, o cafeeiro foi podado e recepado.
A variedade plantada é a Novo Mundo, uma das muitas desenvolvidas
pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), também órgão
da Secretaria de Agricultura.
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