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Os produtores de café do Brasil descobriram a Ásia. Torrefadoras
e cooperativas estão investindo cerca de US$2,5 milhões em
cafeterias naquele continente visando aumentar a exportação
do grão e comercializar produto de maior valor agregado. O
mercado asiático tem enorme potencial devido ao tamanho da
população e ao forte consumo de café expresso. Além disso,
é um mercado novo no consumo de café, já que a população começou
a tomar a bebida apenas há cerca de 70 anos.
"É um pequena invasão brasileira na Ásia", disse o diretor-executivo
da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan
Herszkowicz. Se no ano passado o setor abriu três cafeterias
naquele continente, apenas neste semestre estão previstas
duas.
O Café do Centro instalou uma casa em Tóquio, enquanto que
o Café Tiradentes preferiu montar uma cafeteria em Seul e
a Cooperativa de Cafeicultores de Guaxupé (Cooxupé), em Pequim.
Segundo Herszkowicz, o Café Tiradentes prevê inaugurar outra
cafeteria no mesmo país neste mês. O Café do Centro, de acordo
com Rodrigo Branco, sócio da empresa, espera inaugurar um
nova casa no fim de março, ainda sem lugar definido. "Mas
é provável que seja em Yokoyama'', disse Branco. Segundo ele,
a empresa investe em média US$400 mil a US$500 mil na abertura
de uma loja. A meta do Café do Centro é em dez anos instalar
100 cafeteiras no Japão. "Nós nos instalamos em um país onde
o consumo de café expresso cresce muito'', ressalta Branco.
O objetivo dessas empresas, segundo Herszkowicz, é desenvolver
um canal de distribuição por meio das exportações com maior
valor agregado. Para o diretor-geral do Conselho dos Exportadores
de Café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, a intenção é
aumentar a exportação e reforçar a imagem do produto no exterior,
já que o consumo do produto em cafeterias é pequeno. "Não
queremos ser reconhecidos pelo volume de vendas, mas pela
qualidade do nosso produto'', diz Branco.
Apesar de o Brasil ser o maior produtor de café do mundo,
as indústrias brasileiras têm dificuldades de vender o produto
com maior valor agregado no exterior devido à concorrência
de empresas globalizadas com Starbucks e Mister Coffee. "Esse
é um negócio novo que tem toda a dificuldade do mundo, mas
o caminho é esse mesmo", disse Herszkowicz. "É muito difícil
entrar em um projeto sem um parceiro forte. No nosso caso
foi o contrário. Eles nos procuraram'', disse Branco. A empresa
tem parceria com um grupo de investidores, que formam o Café
do Centro Japan.
Fonte: Gazeta Mercantil
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