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Ernesto Illy prevê queda da oferta de café por causa do aquecimento
global nos países produtores. O consumo mundial de café deverá
manter a taxa de crescimento de 2% ao ano nos próximos 20
anos, acredita o presidente da torrefadora italiana Illycaffè,
Ernesto Illy. Com esse incremento, a demanda adicional pelo
grão deverá chegar a 30 milhões.
Com um volume de consumo tão elevado, apenas o Brasil deve
reunir condições para atender esse mercado, afirmou. A capacidade
de expansão da produção, segundo Illy, se deve à extensa área
de terra e as condições climáticas favoráveis.
Para ele, o possível aquecimento global pode representar
um problema para o café de qualidade, tipo arábica, que é
cultivado em regiões montanhosas, portanto, uma planta sensível
às variações climáticas. Por isso é que atribui ao Brasil,
pelas dimensões territoriais, a capacidade de suprir a demanda
mundial. Para Illy, o Brasil terá que duplicar a produção
de cafés nos próximos anos para atender a procura internacional.
O executivo explica que se por um acaso a temperatura aumentar
em uma determinada região produtora de café, as lavouras migrarão
para outras mais amenas, o que seria inviável em outros países,
como a Colômbia, hoje até então considerado o maior produtor
mundial de cafés finos. O empresário diz que aprecia o trabalho
da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Para ele, a estatal tem condições de desenvolver plantas resistentes
às novas condições climáticas.
"A lavoura do arábica é delicada, sensível ao frio e ao excesso
de calor. Se a temperatura exceder 33C°, os frutos abortam'',
diz Illy, que veio ao Brasil participar do 5º Simpósio de
Pesquisa dos Cafés do Brasil. Para o empresário, a qualidade
do café do Brasil melhora a cada ano por causa dos investimentos
em pesquisa e tecnologia.
O empresário acredita que, por causa das mudanças climáticas,
a oferta mundial de café deve cair, enquanto que o consumo
deve passar dos atuais 20 milhões de sacas para algo em torno
de 150 milhões nas próximas duas décadas.
O mercado de café, segundo o executivo, é prejudicado tanto
pelo clima como pelas condições de mercado. Neste momento,
segundo diz, sua empresa enfrenta os efeitos da valorização
do euro em relação ao dólar. A Illycaffè teme perder vendas
aos Estados Unidos - que representam 10% das vendas da Illy.
Nos últimos dois anos a moeda européia valorizou 36% na comparação
com o dólar. "Nossa preocupação hoje é com a constante valorização
do euro, pois nossos custos são pagos em euro e a receita
(em grande parte) em dólar''.
No caso do Brasil, como o real também está vinculado ao dólar,
o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria
do café (Abic), Natan Herskorvicz, diz que as processadoras
de café estão trabalhando com receita "achatada'', para não
perder mercado no exterior. Atualmente, o Brasil exporta apenas
100 mil sacas processadas ao ano.
Fonte: Agrolink
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