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Novo modelo deve agregar maior valor às exportações e possibilitar
ganhos de imagem, caso adoção seja rápida. Demanda para período
de 1 de outubro de 2006 a 30 de setembro de 2007 é de 2,5
milhões de sacas e país já possui 1,5 milhão de sacas desse
total.
O Brasil está preparado para a adoção do 4C, de acordo com
o diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria
de Café (Abic) e representante da entidade no Conselho da
Associação do Código Comum para a Comunidade Cafeeira, Nathan
Herszkowicz. Ele está em Londres e informou que a Organização
Internacional do Café (OIC) está discutindo um novo texto
do Acordo Internacional do Café (AIC), que pretende incorporar
os princípios da sustentabilidade à produção do café, de modo
a tornar a atividade cafeeira mais rentável e sustentável.
Herszkowicz comentou que a cafeicultura brasileira, de maneira
geral, é muito moderna e avançada, e obedece a rígidos padrões
de legislação trabalhista e ambiental, que exigem boas práticas
no campo. "No primeiro trimestre deste ano foram testados
os sistemas e modelos de verificação do 4C em diversas propriedades
brasileiras, e os resultados mostraram que elas estão dentro
dos padrões exigidos", relatou Herszkowicz.
A expectativa que a adoção do 4C vai afetar o comércio internacional
brasileiro positivamente, no sentido de agregar maior valor
às exportações. Para o diretor da Abic, o 4C vai atuar como
as certificações do tipo Rainforest ou UtzKapeh, que ao comprovarem
que aqueles cafés foram produzidos corretamente e dentro de
normas pré-estabelecidas, incorporam maior valor aos grãos.
Ele acredita que a adoção do 4C no Brasil deve ser rápida
e visualiza ganhos de mercado e imagem em função do novo selo.
"O Brasil poderá captar para sua imagem o fato de ser, além
de maior produtor do mundo, um produtor também sustentável
de cafés de qualidade. A demanda para o período de 1 de outubro
de 2006 a 30 de setembro de 2007 é de 2,5 milhões de sacas
e o Brasil já possui quase 1,5 milhão de sacas desse total,
o que o qualifica como o grande fornecedor de cafés 4C para
o mercado mundial", disse Herszkowicz.
A produção entre os associados ao 4C responde por 70 milhões
de sacas por ano, contando com empresas como Sara Lee, Melitta
e Nestlé. O objetivo do programa é que até 2015, cerca de
50% da produção mundial de café seja em conformidade com os
padrões do 4C. É estimado que hoje, 3,5% da oferta mundial
de café, ou seja, 4,4 milhões de sacas já sejam produzidas
de acordo com os novos critérios.
Novas regras
O diretor da Abic explicou que o 4C não se trata somente de
um novo selo, mas sim da adoção de práticas produção priorizando
a sustentabilidade econômica, social e ambiental. Explicou
que as fazendas serão auditadas e verificadas, e somente com
essa chancela os cafés padrão 4C serão colocados no mercado.
O 4C une indústrias e cafeicultores, mas não chega ao consumidor,
não contendo nenhum selo na embalagem, embora exista a possibilidade
de a torrefadora capitalizar a presença no 4C por meio de
ferramentas de marketing.
O Brasil participou ativamente da normatização do 4C, inclusive
foi sede de algumas reuniões preparatórias. O agrônomo e pesquisador
do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Bernardo van Raij,
participa e acompanha o desenvolvimento deste programa desde
o início, em 2003. Hoje ele é o coordenador do Comitê Técnico
da Associação 4C, que tem como tarefa zelar pelo Código e
pela Matriz do programa.
Os produtores brasileiros estão começando aos poucos a se
informar sobre o 4C e Herszkowicz acredita que esse é um trabalho
a ser disseminado pelas cooperativas. O primeiro passo é o
cafeicultor ou sua cooperativa se associar ao 4C. Torrefadores,
exportadores, industriais de café solúvel, traders, também
podem participar. "É isso o que diferencia o 4C das demais
certificações. Como uma Associação, todos podem interagir",
comentou. Existe uma taxa de filiação anual, cujo valor é
estipulado em função da quantidade de sacas e do tipo de negócio.
Quanto ao treinamento e verificações, são coordenados no
Brasil pelo Instituto Totum, organismo certificador especializado
em gestão de programas de qualidade e certificação, a exemplo
do Programa de Qualidade do Café (PQC) e do Programa Cafés
Sustentáveis do Brasil (CSB), realizados pela Abic.
Fonte: NetMarinha
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