Caderno Café Também é Saúde   Cadernos
ARTIGO CAFÉ & SAÚDE - CAFÉ : OS PRÓS E OS CONTRAS...
20/6/2009 - Revista Cafeicultura

 O número de prós e contras do uso de café ainda é desconhecido. Mas deve haver uma explicação para o fato do café ser o segundo maior mercado de produtos naturais do planeta, depois do petróleo. E uma razão pela acordarmos todas as manhãs pensando em várias coisas como trabalho, lazer, estudo, sexo, fama, fortuna, sendo que a única coisa que fazemos diariamente é tomar o café da manhã. As outras nem sempre. Deve haver um motivo para a existência do “Coffee-Break “ , o qual é muitas vezes a parte mais interessante de palestras, reuniões, congressos, aulas,  etc... Deve existir um fundamento que levou um médico e cientista brasileiro( DRAL), após mais de quinze anos de pesquisas na área café e saúde, conhecendo todos os contras, ser convidado para criar o Instituto de Estudos do Café ( ICS ) – www.mc.vanderbilt.edu/coffee, numa das maiores e melhores universidades americanas, onde já foram obtidos dois Prêmios Nobel de Medicina (1971,1986). 

Deve haver uma justificativa porque o Presidente ( Dr. Mario Maranhão, MM  ) e Comitê Científico da Federação Mundial de Cardiologia aprovaram o PROJETO CAFÉ E CORAÇÃO ( COFFE HEART STUDY ) dos dois autores ( DRAL e MM) que ano passado foi já iniciado no INCOR da USP com apoio da EMBRAPA CAFÉ e breve será realizado a nível mundial para avaliar os prós do café para o coração? E a sensação do momento é a descoberta de que o aroma do café estimula mais regiões do cérebro do que aquelas vinculadas ao simples, olfato, envolvendo todo o circuito do prazer, amizade, amor, paixão.

Com apoio da EMBRAPA CAFÉ esta sendo iniciada uma  pesquisa do cérebro de pessoas cegas que estão sendo treinadas para confimar a hipótese de que podem ser mais capazes de classificar o aroma e o sabor do café, abrindo um novo mercado de trabalho para os 3,5 milhões de cegos e deficientes visuais de todo o Brasil. Caso existissem somente contras, o café continuaria a ser discriminado, criticado e com seu consumo contra-indicado pela classe médica. Caso o café fosse uma droga, a humanidade toda já estaria extinta... ou inevitavelmente drogada.

 A sede é mais mortal que a fome. Só respirar é mais importante. A vida começa e termina com um suspiro. E quando chegarmos ao final de uma vida longa e árdua, cheia de saúde e alegrias, muitas vitórias e algumas derrotas e olharmos para trás, aqueles que amamos serão os primeiros a surgirem na nossa memória. A família, nossos amigos, nossos companheiros de trabalho e os belos momentos vividos são as coisas mais marcantes de nossa vida. Um homem nada mais é que suas memórias.

A memória é o lugar onde podemos fazer tudo o que queremos para sermos felizes tantas vezes quanto quisermos, tantas vezes quantas fomos de fato. Nossos inimigos serão perdoados e esquecidos, pois o tempo e a sabedoria nos ensinam como isto é fácil. A amizade exige muito mais que o amor, pois a amizade é altruísta e o amor egoísta. É a amizade que constrói tudo, vilas, cidades, clubes, civilizações, governos, empresas e grandes invenções. É ela que mantém as famílias, pois quando o amor termina, pode ser substituído pela amizade e assim manter a harmonia entre as pessoas que um dia se amaram.

Mas o que tem o café a ver com tudo isto? No âmbito pessoal, poucas pessoas sabem por que o aroma do café, o mais rico da natureza, nos faz despertar e ficar logo de bom humor. E após este ritual diário, o café da manhã, é difícil entender porque logo aos vermos amigos na rua ou escritório, os convidamos para um cafezinho. E daí que sempre surge uma boa conversa, uma boa idéia e até uma grande inovação científica, cultural ou empresarial. Ninguém entende porque ao passarmos perto de uma cafeteria e sentimos o aroma do café, temos que entrar e ler ou conversar com os amigos saboreando mais um café.

 É difícil identificar alguém na história que não tenha tomado café. A partir de David, o maior dos reis de Israel ( II SAMUEL 17 : 28 ) o consumo dos “ grãos torrados “ foi adotado por Maomé, o Profeta de Alá e depois pelos cristãos, por recomendação do Papa Clemente VIII. A partir do Século XVII o consumo de café foi entusiasticamente aceito no ocidente e disseminado, apesar de muitos contras , como por parte das mulheres, que chegaram a redigir na Inglaterra, em 1674, uma “ Petição Feminina contra o Café “. Sempre foram escassos os prós por parte da classe médica. Johann Sebastian Bach , um grande bebedor de café, criou a COFFEE CANTATA , uma opereta de um ato sobre a tentativa de um pai em verificar se sua filha tomava café as escondidas.

Na CANTATA, a filha Betty diz :”Pai, não seja tão rigoroso. Eu preciso tomar meu copo de café pelo menos três vezes ao dia’”. Outro grandes bebedores foram Honoré Balzac, autor da grande obra A COMÉDIA HUMANA que costumava deitar-se às 6 horas da tarde e dormir até a meia noite, quando acordava e começava a tomar café. A seguir escrevia por 12 horas seguidas apenas bebendo café. Foi em cafeterias que colonos americanos resolveram se unir e jogar no mar o chá inglês em 1773 na “Boston Tea Party”, um movimento entre amigos que culminou com a Independência Americana.

E foi numa cafeteria no jardim do Palais-Royal que em 1789 Camille Desmoulins gritou e motivou seus amigos a pegarem nas armas e a tomarem a Bastilha, iniciando a Revolução Francesa. Caso tivessem tomado muito vinho, a Revolução jamais teria ocorrido. E a história seria outra. No Brasil, em agosto de 1822, depois de atravessar todo o Vale do Paraíba, ver os ricos cafezais e ser bem recebido por todos seus amigos cafeicultores, o Príncipe Regente ouviu de todos “As posses dão, Real Senhor” e assim resolveu proclamar a nossa Independência logo no mês seguinte, 7 de setembro às margens do riacho Ipiranga.

E foi logo cedo após o café da manhã. Realmente o café agrega, cria grandes idéias e ajuda a tudo e todos. O café foi a bebida ideal na Era do Iluminismo no Século das Luzes. Todos grandes pensadores iluministas, Rousseau, Montesquieu, Voltaire, Locke, Diderot e DAlembert bem como as idéias dos principais filósofos, cientistas e políticos nos séculos XVII e XVIII foram estimuladas por muitos goles de café. E isto continua até hoje em empresas, congressos e governos.

 Isto sem mencionar um universo de mais de um bilhão de pessoas que tomam café diariamente em todo mundo, consumindo anualmente mais de seis milhões de toneladas. Apesar de mais contras do que prós. Mas o que o café tem a ver com as coisas mais importantes da vida humana, como a saúde e a felicidade ?  A partir da identificação e isolamento da cafeína em 1820 na Alemanha, nenhuma substância foi mais estudada e objeto de maior número de publicações médico-científicas em toda a história da ciência.  Até hoje ainda existem médicos, cientistas e consumidores que pensam que o café é só cafeína. Um grande engano. Mas apesar de uma avalanche de contras em relação a cafeína até o final do II Milênio, na atualidade é possível afirmar com bases científicas inquestionáveis que a crítica ao seu consumo em quantidades moderadas são totais e completamente infundadas, mas ainda arraigadas entre pessoas desatualizadas.

Quantidades moderadas de cafeína -  o equivalente a 400 -500 mg/dia contidas em 3 a 4 xícaras grandes de café não são prejudiciais à saúde humana, desde a gestação até o final da vida. O consumo crônico e moderado de cafeína por pessoas normais não esta associado com o infarto do miocárdio, nem com qualquer tipo de câncer ou com má formação fetal (teratogenia), doença fibrocística da mama ou aborto.

A cafeína também não é responsável pela produção de arritmias cardíacas ou de úlcera gástrica ou duodenal nem osteoporose em pessoas normais. Algumas pessoas doentes, com problemas cardíacos, psiquiátricos ou gástricos podem não tolerar bem o consumo de café.  Apesar do consumo de café ser antigo, as pesquisas que avaliam seus efeitos no homem são recentes. Mais de mil produtos químicos já foram identificados nos grãos de café, sendo alguns, como os ácidos clorogênicos, são bem mais abundantes que a cafeína.

Mas ela ainda é considerada erroneamente como a principal responsável pelas propriedades estimulantes do café pois atua através do antagonismo dos receptores de adenosina, um neurotransmissor inibidor existente no cérebro. Impedindo a atuação da adenosina, causa uma estimulação cerebral. Mas como toda substância natural ou artificial em  excesso, a cafeína pode ser prejudicial à saúde, da mesma forma que o abuso de vitaminas, sal, açúcar, trabalho, exercícios e até o amor.  Modernamente é possível especular prós do uso do café relacionados à felicidade, ao amor e mesmo ao genoma humano.

A pior e maior crise de energia de nosso planeta é a falta da energia humana. E esta ocorre através da depressão. A depressão significa uma diminuição da força vital do cérebro, o principal, mais complexo, evoluído e perfeito órgão do corpo humano. Desde manifestações como frustração, irritabilidade, agressividade, desinteresse, pessimismo, apatia, falta de atenção, improdutividade, insônia, falta de apetite e de interesse sexual, perda de iniciativa, de confiança e de auto-estima até manifestações graves como idéias de culpa e suicídio ou dependência de drogas legais e ilegais, a depressão é um desafio para a ciência médica. Dentre todas as doenças, é a mais fascinante e desafiadora. Um paciente com câncer terminal, com infarto do miocárdio, com AIDS ou mesmo um paciente atropelado ou baleado quer desesperadamente viver.

Apenas na depressão ele quer morrer, mesmo possuindo saúde física. A depressão atinge 17 % de executivos e funcionários de empresas com prejuízos que superam mais de 80 bilhões de dólares anuais apenas nos Estados Unidos. E como doença incapacitante atinge 20 % de humanidade com problemas  graves que vão desde o suicídio a baixa produtividade, ausência no trabalho, alcoolismo , consumo de drogas e mesmo problemas cardíacos, como um fator independente de risco cardiovascular, causando prejuízos de mais de 45 bilhões de dólares anuais nos EUA.

E o alcoolismo, uma das conseqüências da depressão, causa prejuízos anuais superiores a 160 bilhões de dólares naquele país, sem mencionar lares desfeitos e o sofrimento humano individual, familiar, social e profissional. No Brasil a depressão e o consumo de álcool é crescente entre crianças, jovens e adultos. O alcoolismo sempre foi o maior flagelo da humanidade. Apenas a atuação médica é capaz de tratar e prevenir o problema.

A depressão pode ser uma reação psicossocial que atinge quase 100 % da população, criando condições favoráveis para a busca de soluções temporárias, desde gurus, líderes religiosos e fórmulas mágicas até dispendiosos programas de auto-ajuda, todos divertidos e simpáticos, mas sem comprovação científica de eficácia a longo prazo.

A química cerebral que leva ao uso compulsivo de drogas e a perda do controle, criando a dependência, começou a ser compreendido apenas recentemente. O comportamento que leva ao vício resulta do uso de drogas como a cocaína, anfetaminas, opiáceos, nicotina e álcool por um indivíduo vulnerável numa dose, freqüência e por um tempo  adequados.

O bombardeamento excessivo do cérebro por estas substâncias causa adaptações permanentes em circuitos neuronais que atuam no controle da motivação e comportamento, levando a uma perda do controle e produção de poderosos impulsos de memória de associação, que induzem a busca das drogas e a recaída mesmo no indivíduo que já tenha sido detoxificado. Todas as drogas que causam dependência parecem ativar e produzir alterações permanentes nos circuitos dopaminérgicos que controlam a motivação e o comportamento.

Acredita-se que a principal via envolvida na origem da dependência a drogas parece ser um circuito de células nervosas - a via dopaminérgica - que se estende de uma região do cérebro conhecida como área tegmental ventral ao núcleo acumbens no sistema límbico. Esta região envia impulsos emocionais positivos ou negativos para o córtex cerebral. No sistema límbico existe uma rede de conexões entre células nervosas que liberam peptídeos endógenos, os quais regulam o teor final de dopamina no núcleo acumbens.

Esta via parece estar envolvida na motivação e comportamento necessário para a sobrevivência humana, incluindo o próprio ato da reprodução. Por exemplo, a escolha e o consumo de alimentos pode ocorrer através da ativação do sistema límbico dopaminérgico, onde alimentos (e drogas) levam a uma gratificação e condicionamento, fortalecendo mecanismos de memória e aprendizado. Quando algo estimula este sistema, imediatamente é reconhecido e lembrado vividamente, inclusive as circunstâncias que levam ao seu uso ou consumo.

A cocaína, a nicotina, os opióides e o etanol são todos originariamente subprodutos de plantas ou da fermentação natural e atuam como substâncias condicionantes e capazes de gerarem dependência porque mimetizam ou aumentam as ações dos neurotransmissores que atuam nos mecanismos de gratificação, prazer e aprendizado do ser humano. A cocaína inibe a recaptação da dopamina, aumentando sua duração e seus efeitos nas sinapses do sistema mesolímbico enquanto que a anfetamina libera a dopamina dos neurônios dopaminérgicos. Opióides como a morfina e a heroína mimetizam neurotransmissores opióides que atuam diretamente no núcleo acumbens mas que podem também atuar de forma desinibitória no sistema límbico, favorecendo a liberação de dopamina.

A nicotina simula a ação de acetilcolina nos receptores nicotínicos centrais enquanto que o etanol possui um poderoso efeito facilitador nos receptores do Ácido Gama-Amino-Butírico (GABA). A nicotina e o álcool causam uma maior liberação de dopamina no sistema límbico. E este aumento dos níveis de dopamina pode ser inibido em diversas etapas, como através do uso de antagonistas de receptores opióides.

O fármaco naltrexona usado no tratamento do alcoolismo atua bloqueando os receptores opióides no início do circuito de gratificação do sistema límbico enquanto que a bupropiona, usada no tratamento do tabagismo atua no final do circuito aumentando os níveis de dopamina, modulando e suprimindo assim o desejo excessivo de prazer obtido através da  nicotina.

Mas o ser humano, além de selecionar plantas (nicotina, cocaína, heroína, álcool) que estimulam de forma artificial o seu prazer no sistema límbico, também identificou plantas que podem bloquear este sistema opióide, modulando ou interferindo neste desejo de auto-gratificação que leva ao consumo de drogas. O café é um produto natural que possui substâncias, os ácidos clorogênicos, que agem no mesmo circuito mesolímbico onde atuam os fármacos usados para o tratamento do alcoolismo e tabagismo.

 Nosso grupo de médicos, psicólogos, nutricionistas  e cientistas do Instituto de Neurologia Deolindo Couto da UFRJ, do Centro de Neurociências da Rede Labs-DOr do Rio de Janeiro e do INCOR da USP, através do Projeto Conjunto Café e Saúde – Café na Merenda, Café e Coração e Café e Cérebro, com apoio financeiro da maior instituição de pesquisa agropecuária do planeta, a EMBRAPA, via EMBRAPA-CAFÉ, mostraram definitivamente que o café não é só cafeína.

Ele possui apenas 1 a 2 % de cafeína e diversas outras substâncias em maior quantidade e que são mais importantes para a saúde humana. O grão verde  possui  minerais como potássio(K), ferro (Fe) e zinco (Zn) em maior quantidade que isotônicos e água mineral. Possui aminoácidos, lipídeos, açúcares e proteínas que são destruídos na torra, formando quase mil compostos voláteis, algo único na natureza. O vinho e a rosa tem que ir ao nariz enquanto que o cheiro do café é sentido na sala e mesmo no quarteirão.

O café possui os antioxidantes ácidos clorogênicos, na proporção de 7 a 10 %, isto é, 5 a 10 vezes mais que a cafeína. Na torra adequada os ácidos clorogênicos formam novos compostos, as lactonas, que atuam de forma benéfica no cérebro e no organismo. O café possui a trigonelina (1%) que forma uma vitamina, a niacina ( B3) e compostos voláteis como o metil-pirrol, um feromônio. Pesquisas modernas comprovaram que tomar café de forma diária e moderada -  4 xícaras ao dia (e nunca a noite)  é muito saudável, como fazer exercícios de forma regular e moderada. O café previne a obesidade, a diabetes do adulto, a depressão/suicídio, o alcoolismo/cirrose, a doença de Parkinson e de Alzheimer além de diversos tipos de câncer.

Acordar com um café da manhã, outro no meio da manhã, mais um depois do almoço e o último no meio da tarde é a dose segura e saudável. A cafeína estimula a atenção, a concentração e a capacidade intelectual e os ácidos clorogênicos/lactonas  modulam o estado de humor, impedindo a apatia e a depressão que leva ao consumo de álcool. A depressão atinge 17 % de executivos e funcionários de empresas com prejuízos que superam mais de 100 bilhões de dólares anuais apenas nos Estados Unidos. A apatia e a depressão tornam as pessoas mais vulneráveis a influência de gurus,  motivadores profissionais e peritos em auto-ajuda, cujo benefício é apenas temporário.

Mais que a crise econômica mundial atual, a apatia, a depressão e alcoolismo são crises permanentes e mais prejudiciais. Pois o consumo moderado e regular de café previne tudo isto. Mas o café deve ser quente como o inferno, puro como um anjo e doce como o amor, mas nunca preto como o carvão. A torra excessiva destrói os compostos saudáveis do café. E existe uma relação do aroma do café com os feromônios, o prazer, a amizade e o amor.  O olfato é o mais importante dos nossos sentidos para a escolha da comida,  do namorado/namorada e perfumes. Tudo que é mais cheiroso é mais gostoso. É o olfato que desperta o desejo, o interesse por uma flor ou um perfume e é ele que regula a fisiologia da paixão. Um recém nascido reconhece a mãe pelo cheiro de seu leite, e assim começa o maior e mais complicado amor de nossas vidas.

Guardamos na memória o cheiro ruim de algo estragado com mais facilidade que a sua imagem, como, p.ex. um ovo podre ou um animal morto. O cheirinho de café causa efeitos misteriosos no nosso cérebro. Como o cheirinho do amor.  O que a humanidade deve comer e beber para viver mais? Será que devemos nos guiar principalmente e instintivamente pelo cheirinho gostoso da comida e da bebida como fazemos com o prazer e o amor? Dentre os quase mil voláteis do café, o metil-pirrol formado junto com a niacina a partir da degradação da trigonelina parece ter algo a ver com a agregação e amizade típicas do café.

A história mostra isto. O  metil-pirrol forma o núcleo de feromônios de insetos e mamíferos inferiores que estimula o comportamento gregário e a união de grupos para lutar pela sobrevivência. Talvez foi o aroma do café que reuniu os hebreus, os islâmicos e os cristãos em grupos motivados por idéias e ideais nobres e saudáveis. Falta unir todos numa mesma cafeteria. Pesquisas com Ressonância Magnética Funcional (RMf) mostram que voláteis do café estimulam regiões vitais para o prazer no sistema límbico da mesma forma que a amizade, o amor e a paixão (Figura 1).

A principal via envolvida no prazer é um circuito de células nervosas que liberam as endorfinas e a dopamina  que vai da região do cérebro conhecida como área tegmental ventral ao núcleo acumbens. Esta via está envolvida na motivação e comportamento necessário para a sobrevivência humana, incluindo o próprio ato da nutrição e reprodução além do apego a entes queridos, amigos e família. Por isto o aroma do café possui mistérios que a ciência só agora ousa desvendar, como reunir amigos, estimular o intelecto e combater a apatia e a depressão, sem falar na saudável bebida que previne doenças.

Mas em excesso, tudo pode fazer mal à saúde, desde o sal, o açúcar, o trabalho até vitaminas e mesmo o amor ou o café. Com moderação - 4 xícaras ao dia – não existe nada mais aromático, agradável, natural e saudável que o café, a paixão dos brasileiros. E paixão é coisa séria. Assim como a amizade, amigos e inimigos.

 Mas apesar dos prós e contras, a ciência ainda não explica porque a imagem, o consumo e o valor do café estão em discordância com sua importância agrícola, econômica e médica. Enquanto indústrias de países consumidores arrecadam fortunas com a comercialização do café - US$ 80 bilhões anuais, os quase 50 países produtores e dezenas de milhares de agricultores arrecadam menos de US$ 10 bilhões anuais e são todos pobres e endividados, incluindo o Brasil, o maior produtor mundial .

Num Brasil cuja única opção é exportar ou morrer, pesquisas sobre o café vinculadas a um maior consumo e exportação podem significar não apenas mais saúde financeira, mas uma imensa economia na prevenção da depressão e suas conseqüências. Além de exportação de idéias e descobertas científicas.

Talvez seja importante à classe médica brasileira, num “ coffee-break “, refletir sobre os prós e contras do uso do café, atuar em pesquisas básicas e clínicas na área Café e Saúde e tentar entender as razões que justificam a exploração da maior riqueza natural dos países pobres, o café, por parte dos países ricos, os maiores consumidores. Particularmente considerando que o café pode ajudar a combater a miséria e o sofrimento humano causada pela obesidade infantil, depressão/suicídio, alcoolismo/drogas. 

E assim passar a prescrever sem receita, mas de forma controlada o consumo diário e moderado de café. Temos que motivar toda a humanidade a tomar apenas café diariamente durante toda vida e nunca refrigerantes, isotônicos, energéticos, que nenhum benefício traz à saúde. Talvez sejamos todos geneticamente prós café... Mas mutações sempre existem – os contras.

Entre ENTRA FIGURA 1- AROMA DO CAFÉ E PRAZER

Analise de grupo (5 participantes: fragrância do grao torrado)

 

 

 

 



 


Fonte :  LIMA, D.R. :  101 RAZÕES PARA TOMAR CAFÉ SEM CULPA, CAFÉ EDITORA, SÃO PAULO, 2009.

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