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Diversas pesquisas examinaram a relação entre o consumo de
cafeína e fraturas do quadril e detectaram que o risco de
fratura do quadril apresenta uma modesta relação com o consumo
de doses elevadas de cafeína, superiores a cinco xícaras diárias.
Mas comentam que o consumo de cafeína esta geralmente associado
a outras substâncias, esta relação pode ser indireta e precisa
de maiores esclarecimentos para confirmar esta suposição.
Outras pesquisas concluíram que não existe relação entre o
consumo de cálcio, leite fósforo, proteínas, vitamina C e
cafeína e fraturas do quadril. Adicionalmente concluíram que
exercícios recreacionais na infância e adolescência parecem
ajudar a proteger contra este tipo de fratura.
Um grande número de estudos em mulheres no período pós-menopausa
para avaliar a incidência de osteoporose através de um controle
da densidade óssea e sua relação com o consumo de cálcio,
cafeína e tabaco já foi realizado. Os autores concluíram que
a menopausa está associada a uma diminuição da densidade óssea
e osteoporose, que pode ser agravada pelo tabagismo, pois
este diminui a absorção de cálcio. O consumo moderado de cafeína
não possui relação com o problema. Outros autores estudaram
a relação entre o consumo de cafeína e a incidência de osteoporose
em diversas clínicas especializadas nos Estados Unidos e detectaram
que não existe relação entre o consumo moderado de cafeína
e uma maior incidência de osteoporose. Recomendam que o consumo
exagerado de cafeína deve ser evitado apenas por pessoas idosas
e que existe uma relação entre o consumo de cafeína e de tabaco
e álcool.
Outras pesquisas mostram que não existe relação entre o consumo
de cafeína, osteoporose e fratura do quadril e que apenas
o consumo de doses acima de 450 mg diários de cafeína pode
influir na ocorrência de osteoporose apenas nas mulheres que
consomem uma quantidade inferior a 800 mg de cálcio na dieta.
Não existe influência na densidade óssea ou osteoporose nas
mulheres que consomem café com pelo menos um copo de leite
ao dia e apenas o consumo de cinco xícaras ou mais de café
sem um consumo diário de leite pode estar relacionado a uma
maior incidência de osteoporose em pessoas idosas ou mulheres
pós-menopausa.
O climatério é aquele período da vida da mulher em que ocorre
a falta de ovulação, deficiência da secreção de hormônios
esteróides e uma série de mudanças regressivas dos caracteres
femininos, representando a transição do período reprodutivo
(menacme) ao não-reprodutivo (senectude). A menopausa é a
última menstruação, que se constitui numa etapa dentro do
climatério. As etapas do climatério podem ser dividas em pré,
peri e pós-menopausa. A pré-menopausa é o período do final
da menacme até a menopausa, a peri-menopausa é o período de
um a dois anos que precede a menopausa e a pós-menopausa compreende
o período entre a data do último catamênio e a senectude.
O tratamento da menopausa é uma prática comum e crescente
em clínica médica e estima-se que existam mais de 30 milhões
de mulheres na menopausa nos Estados Unidos e mais de 20 milhões
no Brasil.
O termo menopausa se refere à cessação da menstruação, tanto
como parte normal da idade quanto como conseqüência da remoção
cirúrgica de ambos os ovários. Fisiologicamente, um complexo
de sintomas precede a cessação do fluxo menstrual e as ovulações
tornam-se cada vez mais escassas antes de se estabelecer a
menopausa. Uma série de alterações fisiológicas ocorrem por
um a três anos, como sensações de calor, sudorese noturna,
secura vaginal e dispareunia. Esta última é referida apenas
com uma pergunta direta e objetiva pelo médico e resulta de
vaginite atrófica devido à deficiência de estrógenos.
A idade média da ocorrência da menopausa na civilização ocidental
é em torno dos 51 anos, embora exista grande variação individual.
Nos casos de menopausa prematura, esta ocorre antes dos 40
anos de idade, decorrente de um padrão genético ou devido
a fenômenos auto-imunes. A menopausa tardia ocorre após os
52 anos de idade. A menopausa cirúrgica devido a ooforectomia
bilateral é comum e pode causar uma sintomatologia mais intensa
e desagradável, devido à súbita queda no nível dos hormônios
sexuais circulantes. Não há evidências de que a menopausa
possa ser antecipada ou retardada em conseqüência de distúrbios
emocionais ou alterações da personalidade, embora sua ocorrência
geralmente se correlacione com eventos importantes na vida
da mulher, como divórcio, crises de identidade ou solidão
devido ao casamento de filhos adultos. Isso aumenta a sobrecarga
emocional e causa grande desgaste psicológico para a mulher
na menopausa.
A principal característica do período são as irregularidades
dos ciclos menstruais, podendo haver menorragia devido à falta
de ovulação e hiperplasia endometrial por ação estrogênica
na ausência de progesterona. À medida que a menopausa se aproxima
ocorre um aumento das gonadotrofinas, principalmente do FSH,
que tem uma elevação mais precoce e maior que o LH. A seguir
os ciclos são mais prolongados, tornam-se mais escassos até
a completa supressão da menstruação, num período de um a três
anos. Qualquer sangramento após este período impõe rigorosa
investigação para possível aspiração ou curetagem endometrial,
pela possibilidade de câncer de endométrio.
Os fogachos - sensação de calor no tronco e face, com sudorese
- ocorrem na grande maioria das mulheres (80%) como conseqüência
da diminuição dos hormônios ovarianos e aumento da liberação
do hormônio liberador da gonadotrofina (GnRH). Este atua nas
áreas adjacentes da iminência média do hipotálamo, onde é
produzido, interferindo em áreas que regulam a temperatura,
originando os fogachos, que são mais intensos no final do
dia, no verão, após a ingestão de bebidas alcoólicas ou comidas
quentes e em períodos de grande tensão. Quando os fogachos
ocorrem à noite, causam importante sudorese e insônia, o que
determina grande fadiga à mulher no dia seguinte.
A mucosa vaginal, com a diminuição dos níveis de estrógeno,
torna-se pálida, com menor diâmetro e com menor lubrificação,
o que comumente é responsável por dispareunia. A atividade
sexual regular, com o uso de lubrificantes como cremes de
estrógeno ou testosterona, ou o uso de estrógenos via oral,
alivia e previne a dor causada pela relação sexual. A insuficiência
estrogênica se reflete na uretra e na bexiga e em mulheres
idosas a uretra se converte em estrutura rígida com epitélio
delgado e friável. A diminuição da pressão intra-uretral devido
a falta de estrogênio favorece o aparecimento de incontinência
urinária de esforço. A micção fica difícil, com polaciúria,
disúria, retenção e sensação de micção iminente (síndrome
uretral). Há maior incidência de coronariopatia aterosclerótica.
A osteoporose ocorre como complicação tardia da menopausa
com dores articulares, achatamento das vértebras, cifose,
fraturas ósseas (vértebras, costela e colo de fêmur). O uso
prolongado de estrógenos protege a mulher de problemas cardíacos,
por diminuir o colesterol LDL e aumentar o HDL, além de prevenir
a osteoporose, os fogachos e a dispareunia. Seu uso, entretanto,
aumenta o risco de câncer de mama, de endométrio (adicionar
progestágeno), de litíase biliar e favorece o crescimento
de miomas uterinos. Por esse motivo, apenas o médico deve
efetuar uma avaliação periódica em toda mulher pós-menopausa
em uso crônico de estrógenos pela via sistêmica, através de
hormonioterapia de substiuição, de reposição ou suplementação,
pois o climatério ocorre devido insuficiência hormonal.
A terapêutica hormonal deve ser individualizada e administrada
conforme a fase em que se encontra a paciente, na pré, peri
ou pós-menopausa. Pesquisas recentes (HERS e WHI) constataram
que o uso de estrogênios conjugados eqüinos na dose de 0,625
mg e acetato de medroxiprogesterona na dose de 2,5 mg aumenta
o risco de fenômenos tromboembólicos, o risco relativo de
doença coronariana, de acidente vascular cerebral, de calculose
biliar e de câncer de mama embora ocorra diminuição no risco
de câncer de cólon e de fraturas osteoporóticas de fêmur e
coluna. Na atualidade a tendência é o uso de baixas doses
de hormônios com efeito suficiente para abolir os sintomas
climatéricos, melhorar a atrofia urogenital e prevenir a perda
óssea.
REFERÊNCIAS:
1 - Lima, D. R. Cuidado!!!
O popular café e a poderosa mulher... podem fazer bem à saúde.
Petrópolis: Medikka Ed. Científica, 2001. 111 p.
2 - Lima, D. R. Manual de
Farmacologia Clínica, Terapêutica e Toxicologia. Rio de Janeiro:
Medsi Ed. Científica, 2003. 3 Volumes, 3.456 p.
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